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O que você precisa saber sobre radioatividade

Acidente de Chernobyl completa 30 anos em 2016; relembre a descoberta da radioatividade e os principais tipos de radiação

Ana Carla Bermúdez | 18/04/2016 03h44

No dia 26 de abril de 2016, a tragédia de Chernobyl completa 30 anos. O maior acidente nuclear da História deixa rastros até os dias de hoje: segundo o Greenpeace, a terra e a água da região permanecem contaminadas pela radiação. No entanto, apesar de ser constantemente associada a acidentes graves como esse, a radioatividade tem um papel importante em nosso cotidiano, principalmente para a medicina. Saiba mais a seguir. (Imagem: iStock) Diversos cientistas contribuíram para os estudos da radioatividade. Em 1896, Henri Becquerel descobriu que o sulfato duplo de potássio e uranila emitia um tipo de radiação capaz de marcar chapas fotográficas. Mais tarde, Marie e Pierre Curie (foto) descobriram que essa propriedade era comum a todos os compostos que possuíam urânio. O casal também descobriu outros elementos químicos radioativos, os quais foram batizados de polônio e rádio. (Imagem: Wikimedia Commons) Décadas depois, cientistas como Ernest Rutherford (foto) identificaram a presença de dois tipos diferentes de radiação, que foram chamados de raios alfa e beta. Em 1900, foi comprovada a existência de um terceiro tipo de radiação: os raios gama, de natureza eletromagnética. (Imagem: Wikimedia Commons) Todos esses estudos levam, portanto, ao conhecimento que temos hoje sobre a radioatividade. As principais emissões radioativas são: as partículas α (alfa), que são formadas por dois prótons e dois nêutrons, têm pequeno poder de penetração devido à sua maior natureza corpuscular e são atraídas por um campo elétrico negativo; as partículas β (beta), que são elétrons expulsos de um núcleo instável em altíssima velocidade, são atraídas por campo elétrico positivo, têm pouca massa e um poder de penetração cerca de 50 vezes maior que o das partículas alfa; e os raios γ (gama), que são ondas eletromagnéticas de alta energia, grande poder de penetração e que não são atraídas por campo elétrico. (Imagem: Wikimedia Commons) As duas principais leis da radioatividade valem apenas para as partículas alfa e beta, já que quando um átomo radioativo emite uma radiação gama seu número de massa e número atômico não variam. Segundo a 1ª lei da radiotividade ou lei de Soddy, quando um átomo emite uma partícula α o seu número atômico diminui 2 unidades e o seu número de massa diminui 4 unidades. Já a 2ª lei da radioatividade ou lei de Soddy-Fajans-Russel diz que quando um átomo emite uma partícula β, o seu número atômico aumenta uma unidade e o seu número de massa permanece inalterado. (Imagem: iStock) O processo em que acontece a união de núcleos pequenos, dando origem a um núcleo maior e liberando uma grande quantidade de energia, é chamado de fusão nuclear. Essa reação acontece no Sol e nas estrelas, onde o principal tipo de fusão é o de hidrogênio em hélio. (Imagem: iStock) Já o processo de fissão nuclear acontece quando um núcleo é quebrado (em duas partes ou mais) por um bombardeamento de nêutrons, liberando também uma grande quantidade de energia. A fissão de um núcleo geralmente provoca uma reação em cadeia, levando à fissão de outros núcleos. É esse o princípio de funcionamento por trás das bombas nucleares. (Imagem: iStock) A fissão nuclear é também o que acontece nos reatores nucleares atuais, que nada mais são do que dispositivos capazes de controlar esse processo. A energia liberada pela reação nuclear aquece água, que se transforma em vapor; esse vapor é capaz de movimentar uma série de turbinas, o que por sua vez gera a energia elétrica. Logo após, esse vapor é resfriado e condensado, voltando assim ao início do processo. Por não liberar gases que contribuem para o efeito estufa e pela sua pequena quantidade de resíduos, a energia nuclear é considerada um tipo de energia limpa. No entanto, o risco de acidentes faz com que essa energia seja vista ainda com bastante desconfiança. (Imagem: iStock) O maior acidente nuclear da História aconteceu devido à explosão de um reator durante um teste de segurança na usina de Chernobyl, na Ucrânia. Estima-se que o acidente tenha causado a morte de cerca de 2 milhões de pessoas, tanto no dia da eventualidade quanto por doenças como câncer e outras deformidades causadas posteriormente pela radiação. Mesmo com a construção emergencial de uma estrutura de aço, concreto e chumbo na tentativa de isolar o local da explosão, Chernobyl permanece nociva até hoje - isso porque a radiação continua passando por algumas fissuras existentes nessa estrutura. (Imagem: Getty Images) Apesar de ser mais lembrada por sua ligação com a energia nuclear, a radioatividade está presente também em nosso dia a dia. Na medicina, ela é utilizada nas radiografias, na radioterapia e na esterilização de materiais; na agricultura, frutas e legumes são expostos à radiação - sem apresentar nenhum risco à saúde do consumidor - para que eles durem mais tempo. (Imagem: iStock)

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